sábado, 26 de março de 2016

A Vigília Pascal no Sábado Santo, mãe de todas as vigílias.

     Segundo antiquíssima tradição, esta noite é comemorada em honra do Senhor, e a Vigília que nela se celebra, em memória da noite santa em que Cristo ressuscitou, é considerada “a mãe de todas as santas Vigílias”. Nela, a Igreja mantém-se de vigia à espera da Ressurreição do Senhor e celebra-a com os sacramentos da Iniciação cristã.   
     "A Ressurreição de Jesus não pode ficar a dois mil anos da história, da nossa história. Ou ressuscitamos com Jesus ou essas festas não terão tido o fruto que Deus pedia de nós. A partir de hoje teremos 50 dias de festa, que é um só dia. Caso ainda não tenhamos pensado as coisas segundo o Coração de Deus, tarefa para toda a vida, ainda podemos começar… nunca é tarde! Cristo ressuscitou e nos espera de braços abertos. Ele nos levará ao encontro do Pai" - Pe. Françoá Costa.

 Bendito seja Cristo Senhor,
Que é do Pai imortal esplendor!
 
Exulte de alegria dos anjos a multidão

Exultemos também nós por tão grande salvação.

Do grande Rei a vitória cantemos o resplendor
Das trevas surgiu a glória, da morte o libertador.
No esplendor desta noite,
que viu os hebreus libertos
Nós, os cristãos, bem despertos,
brandemos: morreu a morte!

Noite mil vezes feliz,
em círio de virgem cera
Nova esperança se acende
no seio da tua igreja
.
 Noite mil vezes feliz,
noite clara como o dia
Na luz de Cristo glorioso
exultemos de alegria!

© L'Osservatore Romano
Papa Francisco, na Vigília Pascal do Sábado Santo - Basílica de São Pedro (Vaticano)
 


sexta-feira, 25 de março de 2016

Sexta-feira da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo

     Neste dia em que Cristo, nossa Páscoa, foi imolado, torna‐se clara a realidade que já nos foi anunciada em figura e mistério: a ovelha verdadeira substitui a ovelha figurativa. 
      Desta forma, nosso Senhor Jesus Cristo realizou o Mistério Pascal da sua bem‐aventurada Paixão e, assim, morrendo, destruiu a nossa morte e, ressuscitando, restaurou a nossa vida. Foi do lado de Cristo adormecido na Cruz que nasceu o admirável Sacramento de toda a Igreja. 
      Hoje, de modo solene e reverente, viemos reconhecer que de um madeiro o ser humano caiu em pecado no Éden e, por meio de um madeiro, a Santa Cruz, nos foi dada a nossa salvação com a morte do Cristo.

© L'Osservatore Romano
Papa Bento XVI, na Sexta-feira da Paixão do Senhor - Basílica de São Pedro (Vaticano) 
Salmo 30 (31) 

Pai, em tuas mãos
entrego o meu espírito.


1. Senhor, eu ponho em vós minha esperança;

que eu não fique envergonhado eternamente!

Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito,

porque vós me salvareis, ó Deus fiel.



2. Tornei-me o opróbrio do inimigo,

o desprezo e zombaria dos vizinhos,

e objeto de pavor para os amigos;

fogem de mim os que me veem pela rua!



3. A Vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio,

e afirmo que só Vós sois o meu Deus!

Eu entrego em vossas mãos o meu destino;

libertai-me do inimigo e do opressor!



4. Mostrai, serena, a vossa face ao vosso servo,

e salvai-me pela vossa compaixão!

Fortalecei os corações, tende coragem,

todos vós que ao Senhor vos confiais!

quinta-feira, 24 de março de 2016

A Quinta-feira Santa, motivo de grande alegria!

     Eis o motivo de nossa alegria neste dia!
    Bendita seja a santa noite de hoje, em que Cristo instituiu a Eucaristia, o Sacerdócio ministerial e nos deu o grande mandamento do amor: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei".
 

"Este é o meu corpo que será entregue por vós, este é o cálice da nova aliança no meu Sangue, diz o Senhor. Todas as vezes que os receberdes fazei-o em minha memória"

 © Peter Rubens - "A Última Ceia"

quarta-feira, 9 de março de 2016

Campanha da Fraternidade 2016

© CNBB - 2016
   Todo ano a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, lança uma nova Campanha da Fraternidade (CF) para toda a Igreja Católica aqui no Brasil durante o período que antecede a Páscoa do Senhor, a Quaresma
 
    O que é a CNBB?
    Esta Conferência é composta por todos os bispos que estão no território brasileiro e tem como uma de suas várias funções a organização da Igreja em nosso país, tomando decisões em conjunto com um grande número de bispos e prestar diferentes tipos de assistência tendo em vista o futuro da Igreja aqui no Brasil.
   
   O que é a Campanha da Fraternidade?
    É uma campanha anual que existe desde 1961 e tem por objetivo conscientizar os fiéis católicos à responsabilidade com o tema apresentado afim de que se desperte a fraternidade e o amor verdadeiro, aquele que não espera nada em troca, de um irmão para com o outro e também promover a responsabilidade de todos para com as questões da fé de nossa Santa Igreja. Ela sempre é lançada pela CNBB no período da Quaresma, e se expira até o lançamento do novo tema na Quaresma do ano seguinte. Neste ano de 2016 há uma grande novidade! A Campanha da Fraternidade é ECUMÊNICA, não está reservada só aos fiéis católicos no Brasil!

   O que significa "ecumênica"?
   Ecumênico(a), de acordo com o dicionário InFormal, é:
   "No Novo Testamento, esta palavra é usada em várias ocasiões (ver Mateus 24.14; Lucas 2.1; 4.5; 21.26; Atos 11.28; Romanos 10.18; Hebreus 1.6; 2.5; e Apocalipse 12.9), para se referir ao 'mundo inteiro', a 'toda a terra' ". ¹
   Isto quer dizer que, a ideia de algo ecumênico está no âmbito daquilo que é comum, ou seja, é igual a todos. Como vamos ver adiante o tema central para este ano de 2016 diz respeito ao mundo, local onde todos nós vivemos. Por isso, neste ano a Campanha da Fraternidade é ecumênica, pode ser aceita por todas as religiões e pessoas de boa vontade que desejarem se juntar à responsabilidade de cuidar da Casa Comum, isso quer dizer, da Terra, nossa casa, nosso planeta, e, poderá fazer parte desse grupo enorme de pessoas que querem, este ano e nos seguintes, fazer do mundo um lugar melhor. Esse é o objetivo da Campanha da Fraternidade.

     O que são os objetivos permanentes e quais são eles?
   Objetivos permanentes são os objetivos que continuarão presentes em toda Campanha da Fraternidade. São objetivos que deverão continuar sendo cuidados para sempre serem concretizados. 
    São eles:
1 – Despertar o espírito comunitário e cristão no povo de Deus, comprometendo, em particular, os cristãos na busca do bem comum;
2 – Educar para a vida em fraternidade, a partir da justiça e do amor, exigência central do Evangelho;
3 – Renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação da Igreja na evangelização, na promoção humana, em vista de uma sociedade justa e solidária (todos devem evangelizar e todos devem sustentar a ação evangelizadora e libertadora da Igreja)”. ²
    Qual o objetivo geral e os objetivos específicos para a CF de 2016?
        Objetivo geral:
   Assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum.
Objetivos específicos:
  1. Unir igrejas, diferentes expressões religiosas e pessoas de boa vontade na promoção da justiça e do direito ao saneamento básico;
  2. Estimular o conhecimento da realidade local em relação aos serviços de saneamento básico;
  3. Incentivar o consumo responsável dos dons da natureza, principalmente da água;
  4. Apoiar e incentivar os municípios para que elaborem e executem o seu Plano de Saneamento Básico;
  5. Acompanhar a elaboração e a excussão dos Planos Municipais de Saneamento Básico;
  6. Desenvolver a consciência de que políticas públicas na área de saneamento básico apenas tornar-se-ão realidade pelo trabalho e esforço em conjunto;
  7. Denunciar a privatização dos serviços de saneamento básico, pois eles devem ser política pública como obrigação do Estado;
  8. Desenvolver a compreensão da relação entre ecumenismo, fidelidade à proposta cristã e envolvimento com as necessidades humanas básicas.²
    Qual a explicação do cartaz da CF de 2016?
        O cartaz deste ano foi desenvolvido pelo artista Anderson Augusto de Souza Pereira e segundo a explicação do próprio autor publicada no site da CNBB ele nos explica:
   "Nem sempre estamos atentos para atitudes simples, por exemplo, o descarte correto do lixo, ligar nossas casas às redes de esgoto, cuidar da água, entre outras. A falta desses cuidados fere a Criação, de forma que, no lugar de flores, jardins e frutos diversos vemos esgoto a céu aberto, rios poluídos e monoculturas. A diversidade da criação de Deus desaparece.
   A terra alegre fica triste. No entanto, a fé em Jesus Cristo nos anima a assumirmos o cuidado com a Casa Comum como resposta ao amor incondicional que Deus oferece a cada um e cada uma de nós. Assumir esse compromisso reacende a esperança de um novo céu e uma nova terra onde habitam a justiça e o direito.
   É isso que expressa o rosto da mulher em destaque no cartaz. Queremos que as mudanças dos paradigmas e valores que nos orientam nessa sociedade de consumo transformem o rio poluído em água cristalina e habitado por muitos peixes, a terra seca em uma terra renovada e abundante. Com essa transformação, poderemos dançar e celebrar a esperança de que o projeto da Casa Comum não terá fim, mas continuará por gerações e gerações". ²

    Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016
Tema: 
 "CASA COMUM, NOSSA RESPONSABILIDADE"
Lema:  
"QUERO VER O DIREITO BROTAR COMO FONTE E CORRER A JUSTIÇA QUAL RIACHO QUE NÃO SECA" (Am 5, 24)
Oração Oficial: 
 "Deus da vida, da justiça e do amor, Vós fizestes com ternura o nosso planeta, morada de todas as espécies e povos. Dai-nos assumir, na força da fé e em irmandade ecumênica, a corresponsabilidade na construção de um mundo sustentável e justo, para todos.
No seguimento de Jesus, com a Alegria do Evangelho e com a opção pelos pobres."
Dom Pedro Casaldáliga (Prelazia de São Felix do Araguaia)


| Referências:
¹ http://www.dicionarioinformal.com.br/ecum%C3%AAnico/
² http://campanhas.cnbb.org.br/campanha/campanha-da-fraternidade-2016



sexta-feira, 4 de março de 2016

Santa Missa de Envio para catequizandos, pais e catequistas!

   Neste sábado, dia 05/03, às 9h, teremos a Santa Missa de Envio para catequizandos, pais e catequistas com o objetivo de bem iniciarmos mais um ano catequético no Santuário N. Sra. do Carmo.
      
Nós, cristãos, não podemos parar de EVANGELIZAR e levar o AMOR DE CRISTO àqueles que não conhecem Ele o bastante ainda.  
Vamos para a Missão permanente da Igreja de levar o Evangelho e o Amor de Cristo a todos!

 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O Rito Extraordinário da Igreja

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 1. O que é o Rito Extraordinário?
      A Santa Missa que temos hoje, que faz parte do Rito Ordinário da nossa Igreja (aquela que ocorre sempre), não foi a mesma desde o princípio da Igreja. As primeiras Santas Missas eram de costas para o povo, que em latim diz-se Versus Deum (voltado para Deus), e rezada toda em latim e os paramentos dos sacerdotes eram um pouco diferentes dos de hoje. Depois do Concílio Vaticano II, uma grande reunião de bispos com o papa, a Igreja fez uma revisão deste antigo rito, formando uma nova liturgia, assim, realizando uma reforma para a Missa do Rito Antigo, e transformando-a no que é hoje. Podemos notar as diferenças já na posição do sacerdote, onde ele fica virado para o povo, em latim diz-se Versus Populum (voltado para o povo), e a Missa já é rezada em língua vernácula, ou seja, na língua oficial da região onde é celebrada.
      Porém, a Santa Missa na forma extraordinária NÃO ESTÁ PROIBIDA, OU ABOLIDA, ela ainda é aceita pela Igreja Católica, mas é pouco celebrada em comparação ao Rito Novo.   
2. Vídeos oficiais da Santa Sé, para referência aos padres que queiram celebrar a Missa no Rito Extraordinário
     Trago-lhes hoje 5 vídeos oficiais da Santa Sé, criados pelo Vaticano, mostrando detalhadamente cada passo a ser seguido durante a Santa Missa do Rito Antigo, também chamada de Rito Extraordinário, Missa de Sempre, Missa de São Pio V, bem como outros nomes; todos estes são atribuídos à mesma forma do Rito Extraordinário.







                    
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/02/Missa_tridentina_002.jpg
     3. Conclusão

 A dimensão da Liturgia Antiga é imensa, realmente fantástica! Tem um significado muito profundo e se faz necessário que os antigos costumes da Igreja sejam plenamente preservados com sabedoria. A intenção do Concílio Vaticano II foi de proporcionar uma mudança em diferentes aspectos do Rito para que fosse atendido o principal objetivo desta reunião de bispos do mundo inteiro e do papa João XXIII, e depois com o papa Paulo VI, de fazer a participação dos fiéis ATIVA, CONSCIENTE, PLENA E FRUTUOSA, como dizem os próprios documentos do Concílio. 
Ambos os ritos nos proporcionam poder conhecer um pouco mais da Graça de Deus por meio da Celebração da Eucaristia. Cada um, ao seu modo, e com suas particularidades, não deixam de colocar como centro da celebração Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é para onde todo nós devemos nos voltar e, à exemplo dEle, sermos verdadeira Luz neste mundo de tanta escuridão e esquecimento das coisas de Deus. 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

O que é o Tempo da Quaresma?

Ilustração de Cristo no deserto
     Chama-se Quaresma os 40 dias anteriores à Ressurreição do Senhor. Neste tempo, todos os fiéis católicos entram em um período de intensa preparação para a maior solenidade da Igreja, a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Quaresma tem início na Quarta-feira de Cinzas e termina na manhã da Quinta-feira Santa. Temos como exemplo para viver a Quaresma, o tempo de 40 dias que passou Cristo no deserto, se preparando para seu maior ato de amor por toda a humanidade, sua morte de cruz.
     O tempo total da Quaresma é, na verdade, de 47 dias, entretanto os 7 dias que sobram, são os Domingos, Dia do Senhor. Os Domingos já são dias santos de guarda dedicados ao Senhor, por isso não se contam.
     Os números 4 e 0 constituem para nós, cristãos, um grande significado. Nas Sagradas Escrituras, o número quatro significa o universo material. Os zeros, o número de dias que ficaremos na Terra, como significação de uma passagem muito rápida por aqui. Somos seres criados para vivermos juntos de Deus, com os Anjos e Santos na Glória Eterna, no Céu, mas isso nos foi impossibilitado pela queda no Éden. O tempo de 40 dias é mencionado na Bíblia ao menos três vezes: os 40 dias do Dilúvio, os 40 anos de peregrinação do povo de Israel em busca da Terra Prometida e 40 dias de Moisés e de Elias na montanha, e ainda, dos 40 dias de Jesus no deserto.

Foto
Papa Francisco proferindo sua
homilia e usando paramentos
 roxos. 
      Para muitos teólogos a Quaresma é o "tempo favorável", em que torna-se ainda mais possível a redescoberta e o aprofundamento do autêntico discípulo de Cristo. É um tempo de conversão espiritual, um tempo de total preparação para reconhecer que Cristo morreu por amor, para nos salvar. O Sacramento da Penitência, ou Confissão, toma uma dimensão ainda maior que em outros tempos. Devemos lembrar que "Deus nunca cansa de perdoar; nós é que, por vezes, nos cansamos de pedir perdão" (Papa Francisco).
    Dentro desta conversão somos convidados pela Igreja para viver ardentemente a oração, o jejum e a esmola (ou caridade), através do Evangelho lido na Quarta-feira de Cinzas. 


"O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivem reciprocamente" (Pedro Crisólogo, Sec. IV).
(há uma postagem especial sobre os exercícios espirituais da Quaresma: clique aqui!)
Papa Bento XVI em procissão e
 usando paramentos 
 róseos.
 
     A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa penitência e conversão às coisas de Cristo. No entanto, no penúltimo domingo da Quaresma, o 4º, também conhecido como Domingo Laetare (do latim, Domingo Feliz), é permitido que se use paramentos róseos. O rosa, ou róseo, é a união da cor roxa com a branca, se o roxo significa penitência e o branco alegria, o róseo quer dizer que ainda estamos em um tempo de penitência e oração, mas este tempo está próximo de acabar para que a Páscoa do Senhor possa ser celebrada.
     Há algumas particularidades neste tempo da Quaresma, uma delas é que se omitem alguns cantos, o "Glória a Deus nas Alturas" e o "Aleluia". Estes dois cantos são os mais alegres na Liturgia, mas neste tempo roxo, estamos vivendo um período de recolhimento. É claro que estamos alegres pelo fato de cada vez mais estarmos perto da Páscoa do Senhor, mas precisamos viver intensamente este momento de interiorização para podermos estar preparados para o grande dia da Ressurreição do Senhor. Para mantermos o clima de sobriedade que a Quaresma exige, devemos fazer o máximo de silêncio na Santa Missa, por isso esses cantos não são cantados. Devemos também deixar de usar os instrumentos para o canto que possuem maior potência de som, bem como não batemos palmas ou acenamos com as mãos, tudo isso para guardarmos toda nossa alegria para o dia da Páscoa.

| Referências:
FERNANDES, Ir. Veronice (PDDM). A Liturgia no Tempo da Quaresma (I). Curitiba, 2009.
FRANCISCO, Papa. Homilia durante a Santa Missa na Igreja Santa Ana. Vaticano, 2013.
 | © Direito de imagen
1ª - autor desconhecido. 
2ª e 3ª - L'Osservatore Romano 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

#InscriçõesCatequese2016 - O primeiro dia

     Na última quarta-feira (27/01) iniciaram as inscrições da catequese para o ano de 2016 e continuam a todo vapor até a próxima quarta-feira (03/02), das 8h às 20h.
    Nós catequistas ficamos muito felizes em poder conhecer, desde já, alguns dos novos catequizados que estarão conosco na caminhada catequética e rever aqueles catequizados que continuam a caminhada realizando a matrícula para o próximo ano afim de concluir os Sacramentos.


© Foto: Dalton Ferreira - 2016

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Liturgia, instituição divina em favor dos homens


      Pesa-me o coração saber que muito perto de nós ainda há considerável desprezo e descaso em relação à liturgia.
     Vele dizer que a liturgia fora instituída por Deus, Nosso Pai, desde o tempo veterotestamentário, e é Ele o Liturgo Perfeito do qual tudo procede.
     O ser humano não tem o direito de tomar para si a liturgia e dela se utilizar para o que lhe convier apenas, pois assim retira-se Deus do centro e todo o culto cristão, em absoluto, é em vão. A liturgia possui o caráter restaurador e substancial na aproximação entre Deus e Seus filhos.
   Enquanto cerimoniário e catequista, amante da liturgia, o fardo torna-se mais pesado quando o esforço para o ensino daquilo que realmente edifica é sufocado pelas influências que em nada se equivalem àquilo elencado, sob o impulso do Espírito Santo, pela nossa Santa Igreja, e que acaba por esfacelar o símbolo verdadeiro incutido em toda liturgia.
    Nossa fé não é volátil, mas sólida. Nossa fé é fundamentada pela Sagrada Escritura, bem como pela tradição de séculos através de documentos escrito por homens e mulheres nos mais diversos tempos, com o mister objetivo de apresentar a todos a extensão da amor de Cristo pelos meios que nos são possíveis - um deles a liturgia.
  Não sufoquemos a liturgia, não queiramos fazer dela parte descartável do culto cristão, tampouco negligenciá-la afirmando ser uma forma de humildade, a humildade constitui significado substancialmente diferente da omissão à liturgia. Deturpar a liturgia não significa humildade, senão soberba, quando da crença de que somos suficientemente bons para fazermos aquilo que queremos.

CRISTO PANTOCRATOR


Os Símbolos Litúrgicos

Em todas as civilizações e culturas e em todos os momentos da História, sabemos que a percepção humana é dependente de imagens e símbolos. O Homem percebe as coisas pela linguagem própria, viva e silenciosa das coisas e se situa - ele próprio - no mundo do mistério.

Nas realidades espirituais, não é diferente, nós buscamos a comunhão no mistério, que se dá sobretudo na linguagem silenciosa dos símbolos. De fato, os símbolos nos mostram, em sua visibilidade, uma realidade que os transcende, invisível. Falam sempre a linguagem do mistério, apontando para além deles próprios.

A própria Liturgia é descrita como uma ação simbólica, no seu sentido mais pleno. E isso se revela na beleza de todo o ato celebrativo que emana da alegria pascal.

Com isso percebemos o quanto é importante a linguagem misteriosa dos símbolos na Liturgia. E um símbolo por si só fala, não é preciso dar explicações. Até porque o mistério não é para ser compreendido e sim, vivido.

Vejamos então o significado de um grande símbolo religioso presente em nosso Santuário, que é o Pantocrator   "Cristo Luz do Mundo"

Santuário N. Srª. do Carmo - Curitiba/PR

A palavra Pantocrator é de origem grega e significa "Todo-Poderoso" ou "Onipotente", mas a melhor tradução seria "Oniregente" ou "Aquele que rege todas as potências terrestres e celestes".
Existem cânones pictóricos, ou seja, regras para a pintura do painel.

O Pantocrator quando é representado de corpo inteiro e neste caso está sentado no trono e rodeado pelas hierarquias celestes que sublinham sua majestade divina. No nosso caso, temos a representação da Virgem Maria, Nossa Senhora do Carmo (percebam que Ela segura o escapulário), e Santo Elias, profeta - por ser o precursor da Ordem do Carmelo. Ainda estão representados ao lado de Cristo os Evangelistas.





O Pantocrator caracteriza-se pela auréola crucífera;






Neste ícone, a cor vermelha da roupa
representa que Ele é todo Deus, e o
manto azul que Ele é todo Homem e
assim nos assumiu por inteiro;

A faixa dourada, é quase uma estola,
o Sacerdote da Nova Aliança
pela mão direita que abençoa «à maneira grega»; e pela esquerda que segura um livro aberto ou fechado, ou mesmo um rolo. Quando o livro está aberto, o versículo evangélico que nele aparece é, as mais das vezes: «Eu sou a luz do mundo». Mas podem também aparecer outros versículos previstos nos manuais de pintura.


A estatura do corpo é a tradicional, já fixada no séc. VI, no tempo de Justiniano.

O rosto, para a tradição oriental, é o do Mandilion, considerado impresso pelo próprio Cristo na toalha enquanto ainda vivia (Santo Sudário).


Os traços podem ser resumidos assim: rosto alongado, sobrancelhas arqueadas, olhos grandes e abertos voltados para o espectador, nariz longo e delicado, a barba bastante longa terminando em ponta arredondada, bigode caído, cabelos ondulados que formam como uma cúpula sobre o alto da cabeça e são depois recolhidos à altura das orelhas e descem sobre os ombros (essa cabeleira é chamada, segundo Capizzi, «tipo capacete»). No alto da fronte - larga e alta - destacam-se muitas vezes, da cabeleira, dois, três ou mais cachos.


A forma circular do rosto lembra que Cristo é o
 Logus, ou seja, o Verbo Divino.
As roupas que cobrem o corpo de Cristo são constituídas de quatro peças, sendo três as mesmas usadas na Palestina no tempo de Cristo: a túnica vestida diretamente sobre o corpo, o manto, as sandálias, presas ao tornozelo por tiras de couro e a faixa que representa Cristo Sumo e Eterno Sacerdote.

O corpo de Cristo se destaca pela cor dourada de sua roupa, chamado na iconografia grega "céu" e no fundo em azul na forma de círculo para indicar que Cristo está na glória do Céu.


O círculo é símbolo do Universo, do todo, do infinito. Junto ao círculo está entrelaçado o quadrado, que simboliza o princípio material do Universo, é o símbolo da Terra.

O ícone transmite, assim, o dogma cristológico das duas naturezas humana e divina - unidas na única Pessoa do Verbo: Filho de Deus e Deus ele próprio, consubstancial ao Pai.

A auréola, chamada "coroa" e também "glória", desenhada com traço fino sobre o mesmo fundo dourado, é sinal da santidade de Jesus. Em todas as imagens de Cristo, na auréola estão desenhados três braços de uma cruz; esta, que se tornou comum no decurso do séc. VI desde o tempo de Justiniano, é uma clara alusão à dimensão salvífica do Senhor. Sobre o ícone estão presentes inscrições, cuja finalidade é chamar a atenção para a identidade divina e ao mesmo tempo humana do personagem representado.

O sagrado trigrama do nome de Deus revelado a Moisés no Sinai: Ο ΩΝ, "Eu sou o Existente" -  Ex 3, 14 - e inserido nos três braços visíveis da cruz introduzida na auréola.  Essas inscrições são sempre em grego.

A mão que abençoa
Na Igreja Oriental, sobretudo na bizantina, a bênção em grego ('euloghia') é reservada ao bispo ou ao sacerdote que a pronuncia para abençoar uma ou mais pessoas, ou um objeto, fazendo um sinal da cruz e pronunciando ao mesmo tempo uma breve fórmula de bênção. A fórmula de bênção mais simples reza assim: «Bendito o nosso Deus, em todo tempo, agora e sempre, e nos séculos dos séculos. Amém.»

Uma das mais solenes é a que o sacerdote dá no fim da liturgia eucarística: «A bênção e a misericórdia do Senhor desçam sobre vós com a sua graça e a sua benignidade em todo tempo, agora e sempre, e nos séculos dos séculos. Amém.»

Como se vê por esta e por outras fórmulas semelhantes, a fórmula não é indicativa: ou seja, o sacerdote não dá a bênção em nome próprio, mas transmite a bênção dada pelo próprio Cristo. Isto fica evidente no ícone de Cristo com a mão direita que abençoa.

A bênção é chamada «à maneira grega», na qual os dedos aparecem em posições bem precisas com significado simbólico, sobre o qual se detêm os manuais de pintura. O de Dionísio de Furná assim descreve a posição dos dedos da mão direita que abençoa e o sentido simbólico:

OS DEDOS LONGOS ACIMA LEMBRAM
QUE JESUS É HUMANO E DIVINO

OS OUTROS DEDOS JUNTOS LEMBRAM
A SANTÍSSIMA TRIANDADE, JUNTA.

OS DOIS DEDOS LONGOS TAMBÉM
 FAZEM REFERÊNCIA A PARTICIPAÇÃO
 DE  CRISTO COMO SEGUNDA PESSOA
DA TRINDADE.

«Quando fazes uma mão que abençoa, não unas os três dedos juntos, mas une o polegar com o anular apenas; o dedo chamado indicador e o médio formam o nome IC: com efeito, o indicador forma o I; o dedo médio curvado forma o C; o polegar e o anular que se unem obliquamente e o mínimo que está ao lado, formam o nome XC; de fato a obliqüidade do mínimo, estando ao lado do anular, forma a letra X; o mesmo mínimo, que tem forma curva, indica justamente por isso o C; por meio dos dedos, portanto, se forma o nome XC e por esse motivo, pela divina providência do Criador de todas as coisas, os dedos da mão humana foram modelados assim e não foram demais ou de menos, mas em quantidade suficiente para formar este nome.»

O clero bizantino abençoa ainda segundo o modo acima descrito

 

 

 

 

Nesta imagem, do Monastério de Santa Catarina, perceba que um dos olhos nos transmitem ternura e no outro a ira de Deus, próprio da Idade Média, mas em geral o olhar de Cristo é exigente, porque pede de nós postura, e com esse olhar Ele nos pergunta: afinal quem você é diante de Mim? Me diga, para depois descobrir que eu sou! 

 

 

 Nada é por acaso, tudo é simbólico!

 Se olharmos os ícones acima, percebemos que o pescoço está muito a amostra, não há golas nem mantos que cubram o pescoço!


Isso é um sinal  muito antigo: na antiguidade acreditava-se que o Espiríto Santo morava na garganta. Que o Espiríto Santo é o "ar de Deus que na nossa laringe nos ajuda a ter folêgo e articula em nós palavras de vida".

Por isso Jesus tem o pescoço muito a amostra, para dizer: "Aqui dentro eu carrego o Espírito Santo, eu respiro o respiro de Deus, meu folêgo é um folêgo divino".

Significado do Pantocrator segundo Dom Roberval Monteiro

O Painel "Cristo Luz do Mundo", do Santuário Nossa Senhora do Carmo é de autoria de Dom Roberval  Monteiro, religioso de Ponta Grossa - PR, que no ano 2000 venho especialmente para entregar o painel no dia da festa da padroeira.

Dom Roberval pratica a arte de pintar desde que entrou no mosteiro, em 1984, e é considerado um pintor especialista em arte bizantina.
"o sacerdote é um homem que comunica Deus para as pessoas e a pintura também faz isso de maneira mais durável, mais profunda que palavras ou ações, porque as minhas palavras ou ações vão passar, mas a pintura vao permanecer e vai sobreviver há muitas gerações"
Junto de Cristo, temos representados os elementos vitais - terra, ar, água e fogo - simbolizados por quatro animais que são uma representação extremamente antiga herdada do período antes de Cristo.

Os quatro animais simbolizam as quatro dimensões do ser humano:
" nós estamos acostumados com o ser humano em duas dimensões: corpo e alma."
Dom Roberval explicou que o homem é touro enquanto vive uma vida vegetativa: trabalha, bebe, dorme e produz. É a força, a vida. O leão representa a vida afetiva, é o homem capaz de sentimentos, de emoções, de paixões, de amor, mas tembém de coragem, de luta, de combate: o leão é nobre de espírito, de caráter, e a lealdade a diferencia do touro. O terceiro animal é a águia, que representa a vida intelictiva, a busca pela razão das coisas, o animal das alturas, que voa alto, que se questiona e nunca se cansa, mas também justamente por isso, vê longe, vê profundamente as coisas: a águia tem olhos agudos e precisos. E, finalmente, o quarto animal, o anjo, que representa o homem na sua relação com a divindade e que sente saudades do céu, saudades de Deus, independente da religião. Então o touro fornece as energias e a base; o leão ama e tem ímpeto; a águia busca as razões; e o anjo realiza a comunhão com Deus.

Para Dom Roberval, a pintura tem a função de ser um mapa de nosso interiror:
"É a tentativa de retomar esse tipo de pintura, mesmo com traços modernos, com técnicas modernas e tudo mais, é justamente de fornecer um mapa do nosso mundo inteiror, porque ainda que a gente não entenda e não use o mapa de uma cidade , só o gosto de saber que existe dá uma sensação de que, pelo menos me perder eu não vou. Esse é o mapa do nosso ser."







Rafael Telma de Lima

Mestre de Cerimônias Litúrgicas do Santuário N. Sª. do Carmo
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